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De ativação de clientes a venda de loja: como as franquias estão faturando com o metaverso

Mercadão dos Óculos acaba de inaugurar sua primeira franquia vendida pelo metaverso, e pretende negociar mais 50 em três meses. Especialistas falam sobre potencial da tecnologia para redes

A rede Mercadão dos Óculos chegou recentemente ao marco de 700 franquias. Uma delas, inaugurada no final de outubro, foi a primeira vendida usando o metaverso como ferramenta essencial. A loja foi instalada em Monte Azul Paulista (SP) e é comandada pelo franqueado Felipe Dotore, 30 anos.

O empreendedor conta que era consultor de franquias e já buscava havia algum tempo um negócio para ele próprio investir. No entanto, por conta do trabalho, não tinha como se locomover para outras cidades para conhecer lojas ou escritórios das redes. “Muitas falavam de mandar fotos e vídeos, mas não é a mesma coisa. Eu não conseguia entender como o negócio funcionava”, diz.

Ao entrar em contato com o Mercadão dos Óculos, em julho deste ano, ele foi apresentado à possibilidade de fazer a reunião e a visita à loja por meio do metaverso. Dotore nunca tinha tido nenhuma experiência no ambiente virtual, mas topou. “Consegui ver como a loja ficaria, em um projeto 3D, e ainda fazer a reunião dentro do espaço. Isso me deu mais segurança”, diz.

Felipe Dotore, primeiro franqueado a negociar uma unidade do Mercadão dos Óculos pelo metaverso — Foto: Divulgação

 

Para entrar no metaverso do Mercadão dos Óculos não é necessário usar nenhum equipamento especial, apenas acessar um link pela web, como em um game. Ao entrar no ambiente, o empreendedor é recepcionado por um consultor e pode estabelecer conversas de áudio, texto ou vídeo. O avatar é movimentado pelo próprio teclado e pode adentrar espaços para conhecer a loja, por exemplo, ou ter reuniões privativas.

Dentro da loja, é possível ver “tablets” com informações. Os produtos mais vendidos têm etiquetas explicativas. Enquanto o avatar caminha, é possível ouvir os passos. À medida que se afasta de outro avatar, passa a ouvir a voz dele mais baixa, simulando uma interação no mundo real.

De acordo com Cesar Lucchesi, diretor de novos negócios do Mercadão dos Óculos, o investimento na tecnologia foi de R$ 500 mil. O ambiente digital foi desenvolvido em três meses por uma startup, em conjunto com a rede. “Com o metaverso, conseguimos chegar aonde ainda não estamos fisicamente, e isso é muito importante para a nossa estratégia de interiorização.” A segunda unidade negociada pelo ambiente virtual foi em Frecheirinha de Freitas, no interior do Ceará — a loja mais próxima fica a mais de 300 km da cidade .

Além dessas duas unidades fechadas, atualmente a rede tem cerca de 11 contratos em andamento por meio do metaverso e pretende totalizar 50 unidades vendidas via ambiente digital até fevereiro de 2023. De acordo com Lucchesi, o novo método não aumenta necessariamente a captação de leads, mas ajuda a melhorar a conversão e reduzir os custos com viagens, por exemplo.

A meta da rede é atingir 1 mil lojas até o final do próximo ano, e o metaverso é visto como uma ferramenta para potencializar isso. A próxima fase é levar a tecnologia para o dia a dia das lojas e atendimento ao consumidor. Para isso, a empresa prevê um novo investimento de mais R$ 500 mil. “Na parte de cima da loja no metaverso temos um auditório. Conseguimos fazer os encontros com investidores, e também proporcionar os treinamentos em loja para equipes de vendas”, adianta o executivo.

 

Metaverso x mundo físico

De acordo com um relatório recente da consultoria McKinsey, até 2030 o metaverso deve ser avaliado em cerca de US$ 5 trilhões. Só em 2022, o investimentos dentro do metaverso já somam US$ 120 bilhões, mais que o dobro do ano passado. Ainda de acordo com o levantamento, 59% dos consumidores estão animados em interagir com marcas no espaço virtual.

Kenneth Corrêa, professor de MBA da FGV e especialista em metaverso, diz que muitas empresas já estão aproveitando o ambiente para fazer negócios, mas acredita que “o melhor ainda esteja por vir”. De acordo com ele, ainda não é possível ter dimensão de onde a tecnologia pode chegar. “Por enquanto, boa parte das experiências que fazemos por lá são apenas réplicas ou simulações do mundo físico, internet, videogame ou mobile transpostas”, explica.

Ele considera que as marcas ainda estejam experimentando a tecnologia, uma vez que o retorno ainda não parece ser significativo. “Em geral, ainda não são operações maduras, com eficiência ou mesmo retorno de investimento. Por esse motivo, ainda são realizadas por aquelas empresas com um DNA de inovação mais acentuado.”

O especialista vê potencial para o metaverso, sobretudo no Brasil, que tem um perfil heavy user de novas tecnologias. Para ele, o volume atual ainda é baixo por conta do alto preço dos óculos virtuais e da própria tecnologia, que ainda não tem grandes diferenciais em relação ao que já se conhece. Corrêa aposta em uma revolução a partir da “próxima fase” da internet, a chamada web3. “Uma comparação justa é que o metaverso de 2022 é a internet de 1996”, diz.

Loja d'O Boticário dentro do jogo Avakin Life: unidade recebeu 14 milhões de visitas no carnaval de 2021 — Foto: Divulgação

Loja d’O Boticário dentro do jogo Avakin Life: unidade recebeu 14 milhões de visitas no carnaval de 2021 — Foto: Divulgação

 

Já tem um tempo que redes de franquias têm utilizado ambientes do metaverso para ativações diretas com o consumidor. O McDonald’s vendeu sanduíches pelo The Sims, no início do ano passado, e O Boticário colocou uma loja dentro do jogo Avakin Life durante os dois últimos Carnavais. Os usuários podiam participar de blocos com nomes de produtos da marca, adquirir skins da empresa e somavam pontos para serem usados dentro do jogo. Só na primeira edição, a loja recebeu mais de 14 milhões de visitas de usuários de todo o mundo.

Sidequest XP permite que clientes interajam no mundo real e no metaverso enquanto estão na loja — Foto: Divulgação

Sidequest XP permite que clientes interajam no mundo real e no metaverso enquanto estão na loja — Foto: Divulgação

 

Alguns novos negócios também já têm sido desenhados com a proposta de inserir os clientes no metaverso, mesmo em experiências presenciais. O restaurante paulistano Sidequest XP é um exemplo disso. A empresa acaba de iniciar a expansão por franquias, mas foi fundada em fevereiro de 2020, pelos empreendedores Kayan Pracidelli, 32 anos, e Guilherme Augusto Belintani, 31.

A ideia do espaço é fazer com que os clientes consumam os itens temáticos do menu, que vão de hambúrgueres a drinques sem álcool, ao mesmo tempo em que interagem em um ambiente de games imersivo. A previsão de faturamento da unidade física para 2023 é a partir de R$ 640 mil. Este ano é o primeiro em que a loja funciona em uma unidade de negócios diferente da fornecedora de software criada pelos empreendedores.

Pracidelli conta que ele e Belintani sempre foram muito ligados no mundo gamer e em boa gastronomia, e sentiam falta de um lugar que juntasse os dois mundos. “A maneira como nos reunimos, fazemos negócios, tudo mudou. Mas quando saíamos para comer ainda era tudo igual”, diz.

Kayan Pracidelli e Guilherme Augusto Belintani, fundadores do Sidequest XP — Foto: Divulgação

Kayan Pracidelli e Guilherme Augusto Belintani, fundadores do Sidequest XP — Foto: Divulgação

 

Belintani é desenvolvedor, o que ajudou os sócios a construir o que eles imaginavam, e ainda não tinham uma referência de como fazer. Pracidelli entrou com a visão empresarial da coisa. Para tirar o projeto do papel, eles investiram cerca de R$ 270 mil. “Um dos primeiros passos foi desenvolver um processo seletivo para trazer pessoas que nos complementassem, para que conseguíssemos desenvolver e entregar a ferramenta que temos hoje.”

Na Sidequest XP, a partir do momento que o cliente entra na loja, já customiza um avatar e recebe missões a serem completadas. A partir daí, precisa interagir no metaverso com outras pessoas presentes e ir desbloqueando novas funções. Pracidelli acredita o negócio tem muito espaço para crescer. Agora, por exemplo, eles lançaram um “chefão”, e é necessária participação coletiva dos consumidores para vencer o vilão. “A cada ida, o cliente vai encontrar um espaço melhor e com mais novidades”, promete.

A tecnologia foi desenvolvida para que possa ser replicada, sem necessidade de mão de obra especializada nas franquias. Esse foi o maior trabalho dos empreendedores ao longo do último ano. O investimento inicial para se tornar um franqueado é a partir de R$ 90 mil.

Vale a pena entrar no metaverso agora?

Na visão do especialista em franquias José Fugice, CEO do Grupo GoAkira, o momento de experimentos é propício para as franquias apostarem no metaverso. Ele enxerga a aposta como um “investimento educacional”, com visão para um futuro que pode chegar a qualquer momento.

Fugice diz que não sabe quando acontecerá uma “virada”, em que os negócios estarão em peso no ambiente virtual, mas afirma que acontecerá. Dessa forma, segundo ele, é melhor estar preparado e ir aumentando o investimento à medida que o retorno começa a aparecer no caixa. Isso, claro, sem descuidar da loja física, que ainda é e permanecerá relevante para experiências presenciais.

“Temos segmentos que serão mais impactados por essa solução e outros menos. O ideal é que o empresário faça testes nesse novo universo para que possa aprender como ativar sua base de clientes, rentabilizar o seu produto, engajar o negócio e atrair novos públicos que não consomem a sua marca”, diz.

Entre as ações de engajamento, ele sugere presentear clientes com skins exclusivas para o avatar, em vez de brindes físicos. “O que deve ser destacado são as possibilidades que as soluções tecnológicas oferecem e que devem ser exploradas. Isso garante diferencial para a marca”.

Via Revista PEGN

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