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quinta-feira, maio 16, 2024
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Empreendedoras criam empresa para avaliar startups de impacto baseadas em ativos digitais

A Simbiótica Finance ajuda os investidores a acompanhar novos negócios que usam blockchain ou criptomoedas com benefício social ou ambiental

Cada vez mais negócios novos usam os recursos do blockchain ou das criptomoedas para obter algum tipo de impacto social ou ambiental além dos lucros. Isso é uma grande oportunidade para usar essas tecnologias inovadoras para melhorar a sociedade e o ambiente. Também abre uma gama de novas frentes para os investidores. A dificuldade é como o investidor pode se orientar nesse novo universo de startups.

Como entender onde elas se situam em termos de riscos e de resultados reais, tanto financeiros quanto de mudança no mundo? Para ajudar a classificar esses negócios baseados em ativos digitais, uma dupla de empreendedoras brasileiras criou a Simbiótica Finance.

As fundadoras da Simbiótica vem de campos não necessariamente próximos do mercado financeiro. Uma delas, Rafaela Romano é mestre em Antropologia. Atuante no mercado financeiro desde 2016 e eleita pelo Cointelegraph uma das 50 pessoas mais influentes do mercado de criptomoedas. A outra sócia da Simbiótica,  Paula Palermo, é arquiteta, urbanista e economista. Desde 2016 trabalha com desenvolvimento local colaborativo e desde 2018 com blockchain para projetos de impacto social.

Para entender o que elas fazem, é preciso compreender um pouco das novas tecnologias que a Simbiótica avalia. O blockchain é uma tecnologia para criptografar e armazenar informações associadas a um determinado documento digital. É uma forma de acumular registros associados a um arquivo como um título de terra, uma ação, um contrato, um texto, uma imagem etc.

O blockchain é essencialmente um grande livro digital de registro, que não pode ser fraudado ou censurado. Ele permite armazenar informações criptografadas para diversos usos, como atestar a veracidade de movimentações financeiras. Já as criptomoedas são moedas digitais. Elas são criadas usando blockchain. Muitas vezes estão associadas a determinadas funções ou transações digitais. Como se fossem as fichas de um cassino ou de uma festa junina, mas com camadas maiores de governança e regulação. E podem ser trocadas por moedas comuns, como reais, dólares ou euros.

Quando conheceu bitcoin, uma das primeiras criptomoedas, a antropóloga Rafaela percebeu que pela primeira vez tinha visto um sistema de organização descentralizada em escala global. Em seu processo de estudo da área através de grupos de discussão em redes sociais, Rafaela encontrou Paula.

As duas começaram então a mapear todos os  projetos que encontravam com propostas de impacto positivo para o planeta, comunidades e pessoas e que utilizavam de alguma forma, tecnologia blockchain, criptomoedas e NFTs (sigla em inglês para token não fungível). Anos depois, esse mapeamento formou uma base de dados com mais de 500 iniciativas e mais de 200 ativos, que somam um valor de mercado de mais de R$ 100 bilhões no momento de escrita desse artigo.

Por fim, o interesse intelectual em comum e a percepção de um mercado emergente de grande potencial, levou Paula e Rafaela a fundarem a Simbiótica Finance. A empresa é um agregador de análise, pontuação e rastreamento de ativos digitais que possuem modelos de receita ligados ao impacto. Esse agregador provê informações filtradas de impacto que podem auxiliar na tomada de decisões mais informadas. 

A empresa oferece informações curadas e processadas de instituições e as moedas digitais (ou tokens) de impacto. Um token de impacto é uma representação digital de um ativo com objetivo explícito de causar algum impacto positivo.A Simbiótica também assessora empresas operacionais de impacto a entenderem como usar o mercado de cripto para alavancar seu negócio, expandir mercado ou abrir novas frente de negócio.

Os projetos analisados pela Simbiótica incluem aqueles que que beneficiam florestas, combatem o desmatamento, incentivam energias limpas, disseminam conhecimento científico, trabalham o reuso de materiais e desenvolvem filantropia em geral. Um dos negócios analisados, por exemplo, é o Step NFT, um aplicativo que incentiva os usuários a praticarem atividade física. Dependendo da atividade, o usuário é recompensado por moedas digitais. Outro negócio avaliado pela Simbiótica é a MetaVerso, uma empresa que criou uma simulação digital de uma floresta e vende pedaços desse território na forma de moedas digitais. Há também negócios baseados em serviços para quem negocia ativos digitais.

Divulgação de impacto, com segurança blockchain

Buscando utilizar o potencial dessas tecnologias, a Simbiótica está desenvolvendo uma  plataforma para que empresas possam relatar seus resultados de impacto via blockchain, para aumentar a garantia  contra fraudes. Para Rafaela Romano, o mercado precisa de um sistema onde métricas de impacto conversem com métricas específicas de criptomoedas e de mercado.

“Caso contrário, quem analisa impacto não vai ter a menor ideia de como analisar um projeto de cripto e o mesmo vale para o oposto. Deixando, assim, de lado questões importantes como, por exemplo, diversidade e problemas de consumo energético. O que a gente faz é tentar criar uma linguagem em comum entre dois “mercados”  que no geral não se conversam”, comentou a fundadora.

O mercado de moedas e outros bens digitais está crescendo. Segundo análise de O Boston Consulting Group espera-se que os ativos representem 10% do PIB global até o final da década. A Simbiótica Finance é uma das cinco startups que estão sendo aceleradas em 2023 pela AMAZ, aceleradora de impacto que conta com um fundo de financiamento híbrido de R$ 25 milhões para investimento em negócios nos próximos cinco anos.

Com a aceleração, a Simbiótica busca colocar de fato o pé na floresta, entrando e compreendendo profundamente os problemas específicos da Amazônia para desenvolver soluções tecnológicas focadas nas particularidades desses problemas. Com isso, querem levar as tecnologias mais inovadoras para a floresta, potencializando o valor que todos sabem que os recursos naturais têm, mas que não estão bem precificados nos mercados atuais.

Via Exame
Por Alexandre Mansur

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